Clube
05 Jun 2025 | 01:29 |
A temporada 2024 do Corinthians terminou com vaga em copa continental, fruto do movimento de contratações de sucesso na janela do meio do ano. Não é novidade que o alvinegro mantém a postura de altos investimentos no futebol enquanto lida com dívidas fora das quatro linhas e tenta encaminhar o clube para um cenário mais controlado nos setores financeiro e administrativo, cenário que é detalhado no Relatório Convocados, desenvolvido pela Galapagos Capital.
O documento explica como ficou o cenário financeiro dos 20 times que disputaram a Série A do Brasileirão 2024, incluindo o Timão, e expõe os pontos fortes e fracos das gestões do setor de cada equipe, além de detalhar números históricos que dizem respeito às receitas, dívidas e o fluxo de caixa.
No resumo da análise, o relatório classifica a temporada 2024 como um ano de mais baixos do que altos para o alvinegro paulista. Enquanto o clube conseguiu aumentar as receitas e teve um resultado operacional "positivo e robusto", segundo a pesquisa, mas ainda enfrenta um cenário difícil no processo de diminuição das dívidas, principalmente pelas ações "emergenciais" tomadas pela diretoria de Augusto Melo, quando investiu pesado em contratações no meio de 2024.
"O clube aumentou receitas, tem resultado operacional robusto, mas o volume de dívidas é tão grande que a gestão perde a capacidade operacional. Mas não deixou de investir. A cada ano o risco de travamento aumenta", destaca o relatório.
A parte de publicidade e patrocínio também ocupa uma parte importante da construção do faturamento do alvinegro. Foram R$ 289,9 milhões em 2024, que alcança os mesmos 26% de participação da TV, um crescimento de quase 10% em comparação a 2023.
Veja os outros itens que mais participam da construção da receita do Corinthians:
Transação de atletas: R$ 267,4 mi (24%)
Bilheteria e sócio: R$ 139,2 mi (12%)
Estádio: R$ 75,6 mi (7%)
Social: R$ 27 mi (2%)
Outros: R$ 25,6 mi (2%)
Dívidas e investimentos crescem em paralelo
Como destacou o levantamento da Galapagos Capital, o Corinthians não tem conseguido frear o crescimento de suas dívidas e vê as cifras crescendo ano a ano. Em 2022, a dívida corintiana já era de R$ 1,029 bi, evoluindo para R$ 1,89 bi em 2023 e chegando a R$ 2,34 bi no ano passado. Enquanto isso, nesse mesmo período, a dívida de curto prazo saiu de R$ 566 milhões para R$ 1,035 bi em 2024.
Enquanto isso, o investimento total do clube disparou, mas foi puxado pelas cifras gastas na formação do elenco. Nesse setor, a temporada 2022 teve R$ 84,2 milhões aplicados, em 2023 houve uma queda brusca no valor, quando o Timão gastou "apenas" R$ 51,7 milhões, mas subiu consideravelmente no ano passado. A temporada fechou com R$ 205,8 milhões pagos na montagem da equipe.
Na contramão do aumento em gastos com o elenco profissional, as divisões de base viram os valores investidos sumirem na temporada passada. Em 2022 o valor foi de R$ 5,6 milhões e em 2023 já diminuiu para R$ 3,6 milhões, antes de zerar na temporada passada. Um cenário parecido foi visto nos gastos com estrutura, que caiu de R$ 16,8 milhões em 2022 para R$ 10,5 milhões em 2023, mas houve um leve acréscimo em 2024 de R$ 1,2 milhão. No total, os investimentos do clube saíram de R$ 106,9 milhões para R$ 217,5 milhões em 2024, um aumento de 103,5% em apenas três temporadas.
Nomes que estavam desde outubro à frente de projeto do clube do Parque São Jorge optaram em sair da instituição obrigando presidente a reestruturar comitê
02 Mai 2026 | 17:08 |
Dois coordenadores do Comitê de Reestruturação do Corinthians, André Recoder e Gabriel Diniz Abrão, deixaram seus cargos por insatisfação com a gestão do presidente Osmar Stabile. A saída ocorreu após divergências sobre medidas financeiras e desalinhamento com a diretoria.
O comitê havia sido criado em outubro de 2025 para auxiliar na reestruturação financeira e no planejamento estratégico do clube. A ideia era implementar cortes de custos e buscar aumento de receitas com base em análises técnicas de mercado. No entanto, os coordenadores entenderam que as decisões vinham sendo conduzidas com viés político e populista, sem aplicação prática das recomendações apresentadas.
Logo nas primeiras semanas de trabalho, André e Gabriel elaboraram um relatório que sugeria medidas drásticas, como redução significativa da folha salarial e venda de jogadores para equilibrar as contas. O documento não foi colocado em prática, e a insatisfação cresceu diante da falta de ações concretas. Atualmente, o departamento de futebol do Corinthians possui uma folha de aproximadamente R$ 38 milhões mensais, incluindo atletas e funcionários.
A saída dos coordenadores aconteceu antes da votação do balanço financeiro de 2025, que registrou déficit de R$ 143,4 milhões. A preocupação maior era com os números de 2026, já que o orçamento previa superávit de R$ 12 milhões, mas o primeiro bimestre terminou com déficit de R$ 93,6 milhões. Além de André Recoder e Gabriel Diniz Abrão, outros membros do comitê, como Carlos Roberto de Mello e Heleno Haddad Maluf, também se desligaram.
O Corinthians informou ao GE que Osmar Stabile pretende reestruturar o comitê com novos nomes, mantendo o objetivo de auxiliar a diretoria financeira na busca por soluções para reduzir despesas e aumentar receitas.
Diretoria do Time do Povo entende que valores estão acima da possibilidade do clube paulista que possui dívida bilionária para ser quitada
02 Mai 2026 | 16:27 |
O Corinthians iniciou um processo de corte de gastos com o objetivo de reduzir a folha salarial mensal, que atualmente gira em torno de R$ 38 milhões, para menos de R$ 30 milhões. A medida faz parte de um plano estratégico da diretoria comandada por Omar Stabile, que busca equilibrar as finanças do clube e garantir maior sustentabilidade a longo prazo.
O presidente do Corinthians determinou que o ajuste não se limite apenas ao elenco profissional, mas também alcance setores internos considerados estratégicos. A meta é encerrar o ano de 2026 com despesas salariais controladas, evitando que os custos comprometam o futuro financeiro da instituição. Nesse contexto, jogadores com vencimentos elevados podem ser negociados, e novas contratações serão avaliadas com cautela para não aumentar os gastos.
Marcelo Paz, diretor executivo de futebol, foi orientado a priorizar reforços que não impactem significativamente a folha. Além disso, há uma valorização maior dos atletas formados nas categorias de base, que devem ganhar espaço no elenco principal como forma de reduzir despesas e manter competitividade.
Outro ponto do plano é a renegociação de contratos, com ajustes salariais e revisão de cláusulas para diminuir o impacto financeiro. Empresas parceiras também podem ser envolvidas em acordos comerciais que ajudem a aliviar parte dos custos com jogadores.
Apesar da necessidade de cortes, existe preocupação interna de que áreas como scout e núcleo de saúde e performance sofram impacto. Esses departamentos são considerados fundamentais para identificar talentos e garantir a condição física dos atletas, e qualquer redução pode afetar diretamente o rendimento da equipe.
Clube do Parque São Jorge gastou mais do que arrecadou nesse ano e isso tem impactado na saúde financeira da instituição que tem dívidas em quase três bilhões
01 Mai 2026 | 15:16 |
O Corinthians iniciou o ano de 2026 com déficit significativo em suas contas. De acordo com o balanço financeiro divulgado pelo clube, o resultado negativo no primeiro bimestre chegou a quase R$ 100 milhões (R$ 93,667 milhões). O relatório mostra que as despesas superaram as receitas, refletindo os desafios econômicos enfrentados pela gestão alvinegra.
Entre janeiro e fevereiro, o Corinthians registrou arrecadação de aproximadamente R$ 152 milhões, enquanto os gastos ultrapassaram R$ 250 milhões. O principal fator para o desequilíbrio foi o aumento das despesas operacionais, incluindo folha salarial, encargos trabalhistas e custos administrativos. Além disso, o clube teve impacto com juros e amortizações de dívidas, que seguem pesando no orçamento.
O documento também detalha que as receitas de bilheteria e programas de sócio-torcedor não foram suficientes para equilibrar as contas, mesmo com a boa presença da torcida nos jogos da Libertadores e do Campeonato Paulista. Patrocínios e direitos de transmissão continuam sendo fontes importantes de receita, mas ainda não compensam o volume de despesas acumuladas.
A diretoria destacou que parte do déficit está relacionada a investimentos feitos para reforçar o elenco e manter competitividade nas principais competições da temporada. O clube aposta que a continuidade na Libertadores e o desempenho no Campeonato Brasileiro possam gerar aumento de arrecadação nos próximos meses, ajudando a reduzir o impacto negativo.
O Corinthians divulgou que fará revisão do orçamento em meados de 2026, conforme previsto no estatuto. O planejamento aprovado pelo Conselho Deliberativo no fim do ano passado projetava superávit de R$ 12 milhões. Já o balanço de 2025 foi aprovado na última semana, mesmo registrando déficit de R$ 143,4 milhões e apontamentos de auditoria independente, Conselho Fiscal e Cori.